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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Como Montar Um Projeto de Pesquisa (Iniciação Científica)

Algumas sugestões para a elaboração de um projeto de pesquisa:

Um projeto de pesquisa é a ossatura, o esqueleto, que vai dar sustentação ao trabalho de investigação que será desenvolvido. Para que o mesmo tenha consistência, seqüência lógica, é necessário que seu autor tenha clareza de algumas questões, tais como:

•    o que pesquisar
•    por que pesquisar
•    como pesquisar
•    quando pesquisar

O projeto de pesquisa tem por objetivo clarear essas questões, ajudando seu autor, a saber, de onde está partindo e onde pretende chegar.

Desta forma algumas etapas devem constituir o projeto de pesquisa:

1) Justificativa: Nesse item devem ser enumeradas as razões pelas quais o autor escolheu aquele assunto, isto é o interesse sobre o mesmo, a sua relevância científica e social. Em outros termos, a justificativa ser para indicar o que levou o pesquisador a escolher tal tema, que benefícios poderão advir dos resultados alcançados, tanto para a comunidade quanto para a Ciência onde o assunto está inserido.

2) Definição do tema: Neste momento se está tentando determinar a área de interesse a ser investigada, ou seja, o campo de conhecimento a que pertence o assunto. Esta etapa, em geral vem junto com a 3, isto é o objeto da investigação ou problema que se quer pesquisar.

3) A delimitação do problema: Esta etapa consiste na delimitação do campo a ser investigado, sua natureza, amplitude e consistência. No início de uma pesquisa várias questões se colocam. É preciso que se distinga aquela que tem importância das demais. O problema é a espinha dorsal da investigação. Sem ele não há razão de investigação. A problemática fixa com clareza as questões às quais o pesquisador deseja contribuir com uma resposta. Muitas vezes a mesma parece clara na cabeça do pesquisador. A colocação no papel ajuda a precisar as idéias.
A problemática é a âncora da pesquisa. Mas nem por isso é imutável, como os demais elementos, que constituem um projeto. Mesmo depois de iniciada a investigação pode-se constatar um erro de formação ou de orientação da mesma. Assim sendo é possível modifica-la, isso não significa que a mesma deva ser mudada a cada dificuldade encontrada.

4) Escolha do referencial teórico-metodológico: Tendo clareza das razões do estudo (justificativa), do tema e do objeto a ser estudado (problemática), o pesquisador reúne condições e elementos para definir o quadro teórico metodológico onde se inscreve a pesquisa, isto é o tipo de coleta e análise que será feita com base em teorias, definidas a partir de uma base epistemológica. É o momento de buscar a s referências teóricas que ajudaram na análise de dados, bem como as formas de coletar esses dados. O referencial teórico serve: de base para explicar ou compreender um fenômeno; ajuda a esclarecer o objeto das investigações; permite maior clareza na organização dos dados; apóia a análise dos dados.

5) Plano preliminar: Trata-se de fazer primeiro esboço da seqüência das partes (capítulos e outras subdivisões) que deverão compor o trabalho final. Esta etapa ajuda a ver claro cada momento do trabalho. Evidente que ela vai sofrer várias alterações ao longo do processo de pesquisa. É apenas um primeiro “esboço” sobre a fase final ou o relatório.

6) Cronograma das etapas: A realização de uma pesquisa exige “fôlego”. Por isso é preciso uma certa organização e disciplina. Essa etapa visa ajudar a cumprir as anteriores, não sendo nenhuma camisa de força, mas podendo ser modificada se for o caso. Apenas ajuda a distribuir racionalmente o tempo.

8) Bibliografia: Nesse item deverão ser citadas as fontes de consulta para a elaboração do projeto.

Pesquisa Social – ano 2003

domingo, 23 de agosto de 2009

Tipos de Pesquisa

Pesquisa Experimental

Definição: é um estudo no qual uma ou mais variáveis independentes são manipuladas e no qual a influência de todas ou quase todas as variáveis relevantes possíveis não pertinentes ao problema da investigação é reduzida a um mínimo.

Características: exige o domínio das variáveis e condições experimentais; quando se delineia o experimento deve-se manter todas as variáveis constantes, menos a que está sendo testada (manipulação de variáveis independentes); usa um grupo de controle; deve-se levar em conta o acaso; maior flexibilidade que o pesquisador tem para fazer testes.

Objetivo: relacionar uma variável a ser explicada a uma variável que explica; testar as hipóteses derivadas da teoria sob condições controladas e limitadas.

Etapas: examinar a literatura; identificar e delinear o problema; formular hipótese; construir um plano experimental; identificar todas as variáveis; selecionar o “design” experimental; selecionar uma amostra de sujeitos, e distribua-os nos grupos e atribuir tratamentos aos grupos; selecione instrumentos para medir os resultados; listar os procedimentos de coleta de dados, fazendo um estudo piloto para aperfeiçoa-lo; apresentar hipóteses; desenvolver os experimentos; reduzir os dados brutos, de maneira a ter melhor proveito do efeito esperado; aplicar um teste para medir a confiança de alguém nos resultados.

Vantagens: alto controle; respostas mais claras e menos ambíguas do que as respostas obtidas numa pesquisa não-experimental; maior confiança em seus resultados; maior flexibilidade (possibilidades experimentais); as variáveis podem ser manipuladas sozinhas ou em conjunto com outras variáveis; os experimentos podem ser “replicados” com ou sem variações.

Desvantagens: artificialidade; não possibilita a generalização dos resultados (condições ideais).

Pesquisa Não-experimental (ex post facto)

Definição: qualquer pesquisa na qual não é possível manipular variáveis ou designar sujeitos ou condições aleatoriamente.

Características: não é possível a manipulação de variáveis independentes (as variáveis independentes chegam ao pesquisador como estavam, já feitas), pois lida com variáveis que, por natureza, não são manipuláveis; os dados são coletados depois que todos os eventos de interesse já ocorreram (ex post facto).

Objetivo: investigar possíveis relações de causa e efeito, pela observação de alguma conseqüência existente e procurando refazer o caminho de volta através de dados, em busca de fatores causais plausíveis.

Etapas: definir o problema; examinar a literatura; apresentar as hipóteses; listar os pressupostos; delinear a abordagem; selecionar sujeitos e fontes de materiais; selecionar técnicas de coleta de dados; estabelecer categorias de classificação; validar a s técnicas de coleta de dados; descrever, analisar e interpretar os resultados.

Vantagens: fornece informações úteis referentes à natureza do fenômeno; é útil em pesquisa onde não se pode controlar as variáveis.

Desvantagens: falta de controle sobre as variáveis independentes; menor confiança nos resultados em comparação com pesquisas experimentais (devido a falta de controle manipulativo das variáveis independentes); não dá para submeter aos testes.

Estudo de Caso

Definição: são investigações em profundidade de uma dada unidade social, resultando num retrato bem organizado e completo dessa unidade.

Características: tende a examinar um pequeno número de unidades através de um grande número de variáveis e condições.

Objetivo: estudar intensivamente o Background, a situação atual e as interações ambientais, de uma dada unidade social: um indivíduo, grupo, instituição ou comunidade.

Etapas: apresentar os objetivos; delinear a abordagem; coletar os dados; organizar a informação; reportar os resultados e discutir sua importância.

Vantagens: são úteis como informação de Background pra planejar investigações maiores nas ciências sociais; por serem intensivos, eles trazem luz sobre importantes variáveis, processos e interações que merecem atenção mais extensa; são, às vezes, importantes fontes de hipótese para estudos posteriores.

Desvantagens: devido ao se enfoque estreito, sobre poucas unidades, são limitados na sua representatividade (não permitem generalizações); são vulneráveis a vieses subjetivos.

Survey

Definição: pesquisa que permite realizar levantamento em condições controladas a partir de subconjuntos da população chamados amostras e selecionadas ao acaso ou em função de características particulares. São dados quantitativos passíveis de análise e de generalizações, que possa descrever grupos/pessoas (ou explicar), no próprio ambiente; controla-se a amostra (o ambiente + a amostra, que dá condições de generalização).

Características: tem-se que especificar a população de interesse (condições controladas); o campo de levantamento é a população de referência. A base do Survey é a lista das unidades, exaustiva e sem duplicações (boa base: cobre o universo de referência; são informações que permitem construir a amostra).

Objetivo: descrever uma população, explicar, prever eventos, avaliar programas sociais.

Etapas: formulação do problema + conceito + teoria + hipóteses; objetivo do Survey; elaboração delineamento; amostragem; construção do questionário; campo; codificação; preparação para a análise; análise.

Vantagens: pode ser generalizada; sua estrutura para classificar informação; seu potencial para quantificação e replicação;

Desvantagens: muitas vezes fica no plano do indivíduo e não vai para o contexto (crítica)

Pesquisa em Ação

Características: fornece um quadro organizado para a solução de problemas e para novos desenvolvimentos; é empírica, pois se baseia em observações reais e dados de comportamento; é flexível e adaptável.

Objetivo: desenvolver novas habilidades ou novas abordagens e resolver problemas com aplicação direta ao contexto do mundo de trabalho.

Etapas: definir o problema ou estabelecer objetivos; examinar a literatura; formular hipóteses; organizar o quadro de pesquisa e listar os procedimentos e condições; estabelecer meios de adquirir “feed-back” útil; analisar os dados e avaliar os resultados.

Vantagens: prática e diretamente relevante para uma situação real do mundo do trabalho.

Desvantagens: carece de rigor científico, pois sua validade interna e externa é fraca; seu objetivo é situacional; sua amostra é restrita e não representativa; tem pouco controle sobre as varáveis independentes.

Pesquisa Longitudinal (desenvolvimento)

Características: focaliza o estudo de variáveis e seu desenvolvimento, em um período de meses ou anos.

Objetivo: investigar padrões e seqüências de crescimento e/ou mudança, como uma função do tempo.

Etapas: definir o problema; rever a literatura; delinear a abordagem; coletar os dados; avaliar os dados e reportar os resultados.

Vantagens: é o único método direto de estudar o desenvolvimento humano.

Desvantagens: número limitado de sujeitos que esse tipo de pesquisa pode acompanhar através dos anos; uma vez em andamento, não permite aprimorar as técnicas; são vulneráveis a fatores imprevisíveis.

Pesquisa Correlacional

Características: é apropriada quando as variáveis são muito complexas e/ou levam elas mesmas ao método experimental e à manipulação controlada.

Objetivo: investigar a extensão na qual as variações em um fator correspondem às variações em um ou mais fatores, baseados em coeficientes de correlação.

Etapas: definir o problema; fazer revisão bibliográfica; delinear a abordagem; identificar as variáveis relevantes; selecionar os sujeitos apropriados; selecionar instrumentos de medida apropriados; selecionar a abordagem; coletar os dados; analisar e interpretar os resultados.

Vantagens: é propensa a identificar padrões relacionais espúrios ou elementos que tem pouca ou nenhuma confiabilidade ou validade.

Desvantagens: identifica o que vai com o que e ao identifica relações de causa e efeito; menos rigorosa por exercer menos controle que a pesquisa experimental; os padrões relacionados são muitas vezes arbitrários e ambíguos.

Pesquisa Participante

Definição: a possibilidade do envolvimento do trabalho popular na produção de conhecimento sobre a condição da vida do povo.

Características: o conhecimento surge de uma relação sujeito-sujeito (e não sujeito-objeto), já que as pessoas que antes eram objetos do estudo passam a ser sujeitos.

Etapas: descrição dos itens da pesquisa; detalhar um modelo de pesquisa participante; sai dos casos contados para a sua crítica, para uma avaliação dos resultados.

Dados Agregados / Secundários

Definição: informação sumarizando características de um grupo total ou uma região geográfica.

Vantagens: são menos dispendiosos e mais acessíveis que a informação advindo dos Surveys.

Desvantagens: não mostra a relação individual (enquanto o Survey mostra).

Pesquisa Histórica

Características: depende de dados observados por outras pessoas e não pelo investigador; deve ser rigorosa, sistemática e exaustiva; depende de duas fontes de dados: primários e secundários; tem duas formas de crítica: externa e interna.

Objetivo: reconstruir o passado sistemática e objetivamente, através da coleta, avaliação, verificação e síntese de evidência para estabelecer fatos e atingir conclusões defensáveis, muitas vezes em relação a hipóteses particulares.

Etapas: definir o problema; apresentar objetivos e hipóteses; coletar os dados; avaliar os dados; relatório.

Observação Participante / Pesquisa Etnográfica / Pesquisa Qualitativa

Características: extrai informação através de interações intensivas do investigador com o grupo.

Objetivo: é mais apropriada quando o estudo requer um exame de relações sociais complexas ou intrincados padrões de interação; quando o investigador deseja informação comportamental de primeira mão sobre certos processos sociais; quando o objetivo principal do estudo é construir um retrato contextual qualitativo de uma certa situação ou fluxo de eventos; quando é necessário inferir padrões valorativos latentes ou sistemas de crenças de comportamentos.

Vantagens: profundidade qualitativa e a flexibilidade para o observador.

Pesquisa Documental

Definição: realizada em documentos conservados por órgãos ou pessoas. Ex: filmes,  registros,  vídeos, etc.

Objetivo: encontrar o princípio essencial que há no texto.

Pesquisa Bibliográfica

Definição: constitui o ato de ler, selecionar, fichar, organizar e arquivar tópicos de interesse para a pesquisa em pauta. É a base para as demais pesquisas e pode-se dizer que é uma constante na vida de quem se propõe a estudar.

Características: Qualquer espécie de pesquisa, em qualquer área, supõe e exige uma pesquisa bibliográfica prévia, quer para o levantamento da situação da questão, quer para a fundamentação teórica ou ainda para justificar os limites e contribuições da própria pesquisa.

Consiste em apresentar e comentar o que outros autores escreveram sobre o tema, enfatizando as diferenças ou semelhanças que existem entre os conceitos. É comum e mesmo desejável aparecerem citações literais de autores que falam sobre o assunto. As citações devem seguir as regras propostas.

Objetivo: A pesquisa bibliográfica procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em documentos. Pode ser realizada independentemente ou como parte da pesquisa descritiva ou experimental. Busca conhecer e analisar as contribuições culturais e científicas do passado, existentes sobre um determinado assunto, tema ou problema.

Trabalho de Planejamento e Análise de Survey - anos2003

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O Suicídio e os Fatores Cósmicos – Émilie Durkheim

     No texto “O suicídio e os fatores cósmicos”, o suicídio é a variável a ser explicada e os fatores cósmicos é a variável explicativa, que sofre influência de uma terceira variável que são as relações sociais. Entre os fatores cósmicos dois se destacam: o clima e a temperatura.
     O local tomado como base para o estudo é a Europa, então é a partir de seus fatores que será formulada a pesquisa e dela será tirada a conclusão.
     A primeira hipótese a ser testada é o clima. Durkheim, baseado nos estudos de Morselli, em como os suicídios se distribuem no mapa da Europa, segundo os diferentes graus de latitude, observa que nos países localizados em zona mais temperada, há maior desenvolvimento do suicídio; porém, isso não pode ser comprovado, pois este fato não é constante em todos os países de clima temperado; e na Itália, onde o clima é constantemente o mesmo (temperado), a taxa de suicídio é a menor. Portanto, não compensa insistir numa hipótese que não foi comprovada e é contrariada pelos fatos.
     Uma segunda hipótese é a influência da temperatura na taxa de suicídio. Durkheim expõem que pelo senso comum e pela simplicidade do fato (considerado pelas pessoas comuns), as pessoas são levadas a crer que é nas estações frias que ocorre um maior número de suicídio, mas baseado nos dados estatísticos pode-se perceber que é nas estações mais quentes que ocorre maior número de suicídios. Baseado em Ferri e Morcelli, ele coloca que o calor tem uma influência direta no suicídio, uma vez que aumenta a excitabilidade do sistema nervoso e provoca uma alienação mental, mas isto é posto a prova, pois os suicídios podem ser resultados de uma depressão extrema e não é provado que as estações interfiram na movimentação da curva de alienação mental.
     Tudo o que se pode concluir desses fatos é que as temperaturas extremas sejam as mais quentes ou as mais frias, favorecem o desenvolvimento do suicídio. E, se a causa fundamental das oscilações fosse a temperatura o suicídio deveria variar com ela, porém isto não acontece. Desse modo, percebe-se que somente a temperatura não influi diretamente na taxa de suicídio, então deve haver um terceiro fator que também influencia nas taxas de suicídio.
     Uma outra hipótese é que deve haver uma relação entre a duração do dia e as taxas de suicídio; percebe-se que nas sociedades européias, mesmo o suicídio sendo dividido de forma igualitária entre os meses, o número maior de suicídio ocorre durante o dia; isso é o que prova a relação entre a taxa de suicídio e a duração do dia, mas não prova completamente. Assim, é natural que os suicídios aumentem à medida que os dias fiquem mais longos. Isto se explica, pois o dia favorece o suicídio porque é nele que se tem uma maior relação entre as pessoas, ou seja, a vida social é mais intensa. Observamos o auge do suicídio na parte da manhã e da tarde, que é onde o movimento dos negócios é mais rápido. Percebe-se também que o suicídio diminui conforme chega o final de semana.
     De certo, “a vida urbana é também mais ativa durante o período de Verão. As comunicações são mais fáceis nessa altura do ano e, por isso, as deslocações multiplicam-se e as relações intersociais tornam-se mais numerosas”. Com tudo isso, observamos a terceira variável, citada no início do texto, que são as relações sociais.
     Portanto, conclui-se que as ações diretas dos fatores cósmicos não podem explicar as variações mensais ou temporárias dos suicídios, se as mortes voluntárias são mais numerosas quando as temperaturas são elevadas não é porque o calor tem uma influência perturbadora nos organismos e sim porque as relações sociais são mais intensas. Ou seja, os fatores, como o clima e a temperatura, não podem ser diretamente as causas do suicídio, mas sim influenciados pelas relações sociais, que são diferentes em cada época, causam um aumento na taxa de suicídio.  

Trabalho de Pesquisa Social – ano 2002

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A voz do passado – História oral – A Entrevista e Modelos de Perguntas – Paul Thompson

Existem diferentes tipos de entrevistas, que variam desde uma conversa amigável até o estilo mais formal e controlado de perguntar. As qualidades de um bom entrevistador são: interesse e respeito pelos outros como pessoas e flexibilidade nas reações em relação a eles; capacidade de demonstrar compreensão e simpatia pela opinião deles; e, principalmente, disposição para ficar calado e escutar.

Pode-se começar pela preparação das informações por vários meios, ou com entrevistas exploratórias, mapeando o campo e colhendo idéias e informações. O entrevistador aprende com a entrevista, é bom que o entrevistado seja mais bem informado que o entrevistador, pois se consegue detalhes preciosos. Para que se instaure respeito e confiança entre entrevistador e entrevistado é preciso de um conhecimento básico sobre os termos. É impertinente submeter alguém a um interrogatório, sendo ele especialista ou não, sem ter certeza de que as perguntas são historicamente relevantes e estão corretamente formuladas para aquele contexto.

Estabelece-se uma diferença entre os questionários de perguntas fechadas e uma “conversa” livre onde o entrevistado é convidado a falar de um assunto de interesse comum. Este último tipo não existe, pois uma entrevista precisa de uma pergunta inicial, de estabelecer objetivos, e estar dentro de um contexto, não se pode falar sobre qualquer coisa. Quando esse tipo de entrevista foi realizada não deu certo, pois acabou sendo curta, e só se desenrolando a partir do momento que o entrevistador começou a perguntar. Porém o estilo de entrevista com questionário rigidamente inflexível não é apoiado pelos historiadores orais.

Existem alguns princípios básicos para a elaboração das perguntas, elas devem ser: sempre tão simples e diretas e em linguagem comum; não fazer perguntas de duplo sentido; evitar fraseado que leve a resposta indefinida; é preciso fazer pergunta que demonstre segurança do entrevistador, mostrando que ele sabe o que esta fazendo; deve-se evitar perguntas diretivas, o entrevistador não pode demonstrar sua opinião, pois influirá nas respostas; não se deve fazer perguntas que levem os informantes a pensar do modo do entrevistador e sim do modo deles.

O uso de gravador pode assustar o entrevistado, que pode suspeitar de algo ou por não “conhecer” a tecnologia, porém normalmente as pessoas aceitam que se use o gravador. É preciso saber usa-lo não chamando a tenção e nem se preocupando com ele durante a entrevista. Para estimular a entrevista pode-se levar objetos que tenha a ver com a sociedade a ser pesquisada e com o tema da pesquisa.

Para fazer a entrevista é bom escolher um lugar onde a pessoa se sinta à vontade, e também é melhor que o informante esteja sozinho, pois a presença de uma terceira pessoa pode influenciar nas respostas. Quando uma primeira parte da entrevista é feita e precisa-se de um novo encontro, é legal o uso de uma carta explicando o motivo e os objetivos da pesquisa, a carta não pode ser muito grande, mas deve conter as informações essenciais para que o entrevistado possa ir pensando em como e o que vai falar.

A seguir, o autor descreve como deve transcorrer uma entrevista, como se deve usar o gravador, como fazer as perguntas, como agir em determinados momentos e o que deve fazer ao encerrar a entrevista. Também mostra as “barreiras” que podem existir, com relação à classe social, idade, sexo e raça.

Quando termina a entrevista é preciso relatar o mais rápido os comentários sobre o contexto dela, fazendo seus comentários; depois escutar a fita para ver se tudo transcorreu bem. Saber agradecer também é uma forma de saber entrevistar.

No outro item, o autor, coloca alguns modelos de perguntas.

Resenha Pesquisa Qualitativa – ano 2003

A Elite Eclesiástica Brasileira – Sérgio Miceli

Os processos de habilitação do jovem desejoso de ingressar na organização eclesiástica eram os documentos produzidos devido a exigências canônicas. Através desses documentos é que a Igreja fazia a investigação sobre as origens sociais do jovem, “pureza de sangue”, sua naturalidade, local de residência, profissão, legitimidade da condição familiar, etc. E todos esses dados eram obtidos através de testemunhas fidedígnas. Depois, o vigário do local onde o habilitando morava fazia perguntas, durante a missa, sobre ele, para confirmar os dados já obtidos. Por último, investigava-se o patrimônio da família do habilitando e quanto ela poderia dispor à Igreja (como pagamento pelos estudos do filho no seminário).

A grande maioria de documentos acessíveis a respeito do clero, em geral sobre integrante da alta hierarquia, foi produzida por membros da organização eclesiástica ou por intelectuais católicos especialistas em trabalhos de propaganda e celebração. Parte das biografias é de autoria de padres com pretensões de acesso ao episcopado, empenhados em relatar a trajetória de seus antecessores hierárquico como estratégia antecipada de canonização ou ainda podiam ser elaboradas histórias eclesiásticas regionais. Estas obras eclesiásticas são instrumentos eficazes nas lutas internas, no que tange o acesso aos postos de comando organizacional, empenhadas em firmar uma tradição de dinastias, cujas chances de continuidade passam a depender dos mandatos episcopais dos próprios biógrafos e assim oferecem uma avaliação circunstanciada das condições sociais em que foram produzidas. Os testamentos são a única fonte autobiográfica redigida pelos “prelados” e “constituem um balanço das iniciativas de uma gestão diocesana, da perspectiva do mentor e principal interessado”, além de ajudarem na reconstrução da divisão do trabalho religioso nas dioceses e conterem informações sobre momentos marcantes da trajetória política dos bispos no interior da corporação eclesiástica.

Além dessas fontes biográficas, haviam as histórias de vida, os perfis dos prelados, e as poliantéias. “As histórias de vida contemplam um elenco diversificado de membros destacados do clero que firmaram sua reputação em função dos serviços especializados que prestaram à organização eclesiástica”. Essas obras baseavam-se na vida dos santos, com virtudes excepcionais, vocações, sua vida modelo, etc. Os perfis biográficos foram possíveis, pois seus autores mantiveram convívio íntimo e prolongado com seus homenageados/protetores, e os próprios autores buscavam identificar essas relações nos documentos, bem como a confiança que lhes era depositada. As poliantéias “são obras editadas apenas em circunstâncias bastante especiais, em geral como livros comemorativos do jubileu episcopal, às vezes por encomenda do próprio interessado”. Até mesmo as edições, capas, fotos eram mais luxuosas que as normais. Fotos dos principais momentos do homenageado, textos exaltando suas virtudes, etc, compunham essas obras.

Além disso, muitos foram os intelectuais que escreveram obras clericalistas. Alguns uniram a defesa dos interesses eclesiásticos junto às instâncias e autoridades governamentais. Assim, os ‘prelados’ se dividem em três grupos. Em primeiro, pelos filhos da antiga aristocracia imperial, que tinham interesses econômicos, comerciais e eram proprietários de terras e engenhos. Os segundos, eram os filhos do patriarcado rural falido ou decadente, e viviam às custas das corporações eclesiástica e militar. E os terceiros, eram jovens entregues aos cuidados de algum membro do clero, de uma ordem religiosa ou de um seminário, que assumem os encargos de reprodução material e educação desses jovens e deles se apossam como ‘donos’.

Resenha Pesquisa Qualitativa – ano 2003

Problemas de Inferência e Prova na Observação Participante - Becker

Becker inicia seu texto colocando que o observador participante coleta dados através de sua participação na vida cotidiana do grupo ou organização que estuda”. Esse método de observação permite a obtenção de descrições detalhadas e dados variados. É possível distinguir três estágios de análises, no próprio campo de análise, e um quarto, depois do término do trabalho de campo.

1º) seria “a seleção e a definição de problemas, conceitos e índices”. O observador em sua pesquisa deve selecionar os conceitos e definir os problemas que deseja tratar. A seleção de indicadores pode: ter um indicador para alguma classe ampla de fenômenos; ou buscar indicadores específicos para utilizar em cada estudo, neste estágio, o pesquisador está utilizando seus dados somente para especular sobre possibilidades.

As evidências de uma pesquisa são obtidas através de declarações de membros dos grupos analisados, mas é preciso ter em mente que esses membros podem faltar com a verdade em seus relatos, permitindo questionar sobre a credibilidade dos informantes.

O valor da evidência deve levar em conta: o fato dela ter sido obtida espontaneamente ou através de pergunta do observador, sendo mais válida quando espontaneamente; a presença de pessoas ou não no momento em que a observação é feita; e o papel do observador no grupo, pois como o observador é definido pelo grupo influi o que será dito pelos sujeitos observados.

2º) seria o controle da freqüência e da distribuição de fenômenos, no qual o observador deve tentar evidenciar entre os problemas, conceitos e indicadores anteriormente obtidos, quais são os mais relevantes. Na observação participante a coleta é feita num processo chamado de “quase-estatística”. Para o observador é preferível ter vários tipos de evidências sobre uma mesma questão, para poder avaliar melhor e tirar melhores conclusões.

3º) seria a “construção de modelos de sistemas sociais”. O estágio final de análise no campo consiste na incorporação de descobertas individuais ao modelo generalizado do sistema ou da organização social em estudo ou de alguma parte desta organização. O observador deve construir um modelo que permita compreender as relações entre os elementos e passa a “refinar” constantemente seu modelo.

4º) seria a “análise final e a apresentação dos resultados”, que é realizada depois que o trabalho de campo terminou e consiste numa rechecagem e reconstrução dos modelos; sendo necessário fazer uma conceitualização do problema. O observador torna-se mais cuidadoso e sistemático na produção deste modelo final. Escolhe as hipóteses e de acordo como ela refutam ou não as evidências.

Depois é preciso saber como apresentar as conclusões. Os dados da observação participante não podem ser apresentados colocando-se como contraste os dados e procedimentos quantitativos com os qualitativos . Uma maneira pode ser apresentá-los da maneira como elas – as evidências – chegam até o observador e como são formadas a partir daí as conclusões.

Resenha Pesquisa Qualitativa – ano 2003

sábado, 18 de julho de 2009

O suicídio e os fatores cósmicos – Émile Durkheim

Introdução

No trabalho que será apresentado a seguir, tentamos expor como foi feita a pesquisa e o que se concluiu no texto “O suicídio e os fatores cósmicos”, mostrando as hipóteses e provando-as, e achando as relações, quando existe, entre elas. E no final, colocamos também a nossa conclusão desse estudo.

O suicídio e os fatores cósmicos

No texto “O suicídio e os fatores cósmicos”, o suicídio é a variável a ser explicada e os fatores cósmicos é a variável explicativa, que sofre influência de uma terceira variável que são as relações sociais. Entre os fatores cósmicos dois se destacam: o clima e a temperatura.

O local tomado como base para o estudo é a Europa, então é a partir de seus fatores que será formulada a pesquisa e dela será tirada a conclusão.

A primeira hipótese a ser testada é o clima. Durkheim, baseado nos estudos de Morselli, em como os suicídios se distribuem no mapa da Europa, segundo os diferentes graus de latitude, observa que nos países localizados em zona mais temperada, há maior desenvolvimento do suicídio; porém, isso não pode ser comprovado, pois este fato não é constante em todos os países de clima temperado; e na Itália, onde o clima é constantemente o mesmo (temperado), a taxa de suicídio é a menor. Portanto, não compensa insistir numa hipótese que não foi comprovada e é contrariada pelos fatos.

Uma segunda hipótese é a influência da temperatura na taxa de suicídio. Durkheim expõem que pelo senso comum e pela simplicidade do fato (considerado pelas pessoas comuns), as pessoas são levadas a crer que é nas estações frias que ocorre um maior número de suicídio, mas baseado nos dados estatísticos pode-se perceber que é nas estações mais quentes que ocorre maior número de suicídios. Baseado em Ferri e Morcelli, ele coloca que o calor tem uma influência direta no suicídio, uma vez que aumenta a excitabilidade do sistema nervoso e provoca uma alienação mental, mas isto é posto a prova, pois os suicídios podem ser resultados de uma depressão extrema e não é provado que as estações interfiram na movimentação da curva de alienação mental.

Tudo o que se pode concluir desses fatos é que as temperaturas extremas sejam as mais quentes ou as mais frias, favorecem o desenvolvimento do suicídio. E, se a causa fundamental das oscilações fosse a temperatura o suicídio deveria variar com ela, porém isto não acontece. Desse modo, percebe-se que somente a temperatura não influi diretamente na taxa de suicídio, então deve haver um terceiro fator que também influencia nas taxas de suicídio.

Uma outra hipótese é que deve haver uma relação entre a duração do dia e as taxas de suicídio; percebe-se que nas sociedades européias, mesmo o suicídio sendo dividido de forma igualitária entre os meses, o número maior de suicídio ocorre durante o dia; isso é o que prova a relação entre a taxa de suicídio e a duração do dia, mas não prova completamente. Assim, é natural que os suicídios aumentem à medida que os dias fiquem mais longos. Isto se explica, pois o dia favorece o suicídio porque é nele que se tem uma maior relação entre as pessoas, ou seja, a vida social é mais intensa. Observamos o auge do suicídio na parte da manhã e da tarde, que é onde o movimento dos negócios é mais rápido. Percebe-se também que o suicídio diminui conforme chega o final de semana.

De certo, “a vida urbana é também mais ativa durante o período de Verão. As comunicações são mais fáceis nessa altura do ano e, por isso, as deslocações multiplicam-se e as relações intersociais tornam-se mais numerosas”. Com tudo isso, observamos a terceira variável, citada no início do texto, que são as relações sociais.

Portanto, conclui-se que as ações diretas dos fatores cósmicos não podem explicar as variações mensais ou temporárias dos suicídios, se as mortes voluntárias são mais numerosas quando as temperaturas são elevadas não é porque o calor tem uma influência perturbadora nos organismos e sim porque as relações sociais são mais intensas. Ou seja, os fatores, como o clima e a temperatura, não podem ser diretamente as causas do suicídio, mas sim influenciados pelas relações sociais, que são diferentes em cada época, causam um aumento na taxa de suicídio.

Conclusão

Nós concluímos que, através dos estudos de Durkheim, nada influi tão diretamente nas pessoas, e na sociedade como as relações sociais; mesmo as taxas de suicídios sendo influenciadas pelos fatores cósmicos, há uma terceira variável que determina, e sem ela as coisas não têm nexo, que são as relações sociais.

Trabalho de Pesquisa Social – ano 2002

sexta-feira, 10 de julho de 2009

: “Treinando a Observação Participante” - William Foote-Whyte

Em seu texto, William Foote-Whyte estuda a observação participante através da observação que fez em Cornerville, tendo como “auxiliar” Doc (possivelmente um amigo seu, e morador de Cornerville). Doc era uma pessoa influente, que conhecia grupos nos quais William estava interessado, assim ele era um “indivíduo-chave”. Porém, os indivíduos-chaves eram as pessoas líderes ou importantes dentro dos grupos, pois eram eles que davam o maior número de informações sobre o grupo, e era a esses líderes que William deveria dar alguma explicação sobre si ou sobre sua pesquisa, se fosse necessário. Mas William percebeu que sua aceitação iria depender mais das relações pessoais que formasse do que de suas explicações. O relacionamento de William e Doc fez com que este se tornasse um colaborador da pesquisa, passando a se interessar cada vez mais, e assim, o comportamento de Doc adequou-se ao enfoque da pesquisa, porém era preciso trabalhar com outros indivíduos.

William fez poucas entrevistas formais, ele participava das discussões de rua, e acabava interagindo, pois isso era necessário para obter a confiança e a aceitação do grupo. Ele estava ciente de que não deveria fazer interrogatórios com as pessoas com as quais interagia e também que era preciso saber o que perguntar e qual o momento certo de perguntar, muitas vezes era preciso escutar mais do que perguntar, para que as pessoas não se retraíssem e acabassem não fornecendo dados de que ele necessitava e objetivava.

O fato de William ser diferente atraía as pessoas do grupo, assim percebeu que as pessoas não desejavam que ele fosse igual a elas. Por mais que interagisse com o grupo, não deveria tornar-se o centro do grupo ou ter posição de destaque. Porém, deveria ser agradável, e procurar de forma alguma não influenciar nas decisões e comportamentos do grupo; mas tentar ser útil ao grupo na medida do possível e sem que isso interfira na sua observação e no modo como as pessoas iriam se comportar em sua presença. No final, o autor mostra a necessidade de organizar os dados obtidos para que se possa, posteriormente, consultá-los quando necessário.

Resenha – Pesquisa Qualitativa em CSo – ano 2003

“A História de Vida e o Mosaico Científico” - Becker

A história de vida tenta reunir material útil para a formulação da teoria sociológica. Quando uma pessoa fala sobre sua própria vida é chamado história de vida. É preciso ter em mente que o que a pessoa diz muitas vezes é aquilo que gostaria que os outros pensassem sobre ela, e com isso pode omitir fatos relevantes. Cabe ao sociólogo confrontar os dados obtidos com as evidências disponíveis, e interpretar honestamente; porém, é preciso dar espaço para que o entrevistado interprete sua própria história.

Os documentos de história de vida desempenham algumas funções, podendo servir como meio de avaliação de uma teoria corrente, pois pode negar essa teoria com os seus dados obtidos, determinando sua invalidez. Assim, por fornecer mais detalhes a pesquisa, faz com que esta seja mais precisa, além de que pode ser desenvolvida quando a área a ser analisada não fornecer dados relevantes e suficientes.

Dessa maneira, ajuda na compreensão das áreas, e das pessoas, com que está relacionada. Mas pode também fornecer uma visão subjetiva de instituições já estudadas.

Sua utilização possibilita que se conheça o processo social (das interações sociais) em que o objeto estudado está inserido, além de possibilitar o conhecimento/compreensão de setores da sociedade que informalmente e geralmente não se conheceria.

Resenha – Pesquisa Qualitativa em CSo – ano 2003

“Do Individual ao Social: a Abordagem Biográfica” - Digneffe

Para a autora Françoise Digneffe a utilização do método de relatos (história) de vida proporciona alguns benefícios para a pesquisa desenvolvida. Esse método permite sair da oposição entre o indivíduo e a sociedade, uma vez que apesar de ser “sempre uma história única, essa história individualiza a história social coletiva de um grupo ou de uma classe, é ao mesmo tempo o produto e a expressão dessa classe”. Esse método também permite compreender, de maneira lógica, a visão subjetiva do homem, relacionando-a a realidade objetiva da história.

Assim, o método biográfico permite, do ponto de vista da interação social, compreender como a conduta dos indivíduos se modela e remodela. Sua utilização é válida também quando outros métodos não conseguem explicar elementos fundamentais da realidade social. Além disso, possibilita a compreensão de um valor sociológico no indivíduo que relata.

Dessa forma, as investigações em Ciências Sociais que utilizam a abordagem biográfica levam em consideração as mudanças que ocorrem na história, pois afetam na constituição dos relatos.

Para a formação da amostra é preciso garantir que haja representatividade do conjunto/grupo a ser estudado, ou seja, deve haver uma grande diversificação social e institucional dos entrevistados para que a representatividade tenha coerência. Ao mesmo tempo, na investigação deve-se buscar recolher o maior número de dados relevantes para a pesquisa, até obter-se o “ponto de saturação”. O entrevistado deve ter conhecimento do tema da entrevista para assim poder contar, relatar sobre ele; o entrevistador deve escutar, apreender, e pode, se necessário for, lembrar sutilmente o tema ao entrevistado.

Para a entrevista deve-se elaborar um guia de entrevista (roteiro), não para comandá-la, mas para orientar-se sobre aspectos importantes a serem tratados. Mas vale lembrar que este pode ser modificado no momento da entrevista, de acordo com o relato dado.

Resenha – Pesquisa Qualitativa em CSo – ano 2003

“A Política dos outros – O cotidiano dos moradores da periferia e o que pensam do poder e dos poderosos” - Teresa Pires do Rio Caldeira

No texto a autora analisa as entrevistas de moradores da periferia, sobre o que eles pensam sobre a vida em sociedade, comentários sobre fatos variados, relatos de experiências, opiniões, etc. O que estas entrevistas demonstram não é uma novidade, mas demonstram a vida de um determinado grupo social, em um espaço delimitado de tempo, porém não coincidem com relatos do dia-a-dia, pois a entrevista conduz a uma reflexão, a um discurso organizado e a uma visão mais global do cotidiano. A autora, antes de iniciar a análise das entrevistas, explica como foram estruturadas estas análises, a flexibilidade da entrevista, os dados de observação participante, e por fim, aplica seus conhecimentos teóricos e empíricos a fim de construir sua interpretação a respeito. O objetivo das entrevistas era o de explorar representações sobre a sociedade em que viviam as pessoas entrevistadas, e a sua relação com o poder político.

Caldeira diz que ao olhar para sociedade percebe-se uma dicotomia básica: a oposição entre pobres e ricos. Outra característica apontada é o fator trabalho, que representa uma relação de dependência mútua, de poder e de exploração entre ricos e pobres. Outro fato observado, é que as valorações dadas ao ser rico ou ser pobre são móveis e variam de acordo com a situação. Há uma grande mobilidade das classificações e uma gradação no que se refere à pobreza e à riqueza, porém há a um elemento que é visto de forma intermediária: a classe média.

Através dos depoimentos, a autora percebeu que a maioria dos entrevistados acredita em uma mobilidade social. No que diz respeito às mulheres, a autora mostra que elas imaginam os mesmos mecanismos que os homens para ascender socialmente, no entanto vinculam sua própria ascensão a terceiros, em geral seus maridos e tem consciência dos limites salariais a que estão submetidas. Já os homens possuem projetos de ascensão pessoal e valoram negativamente o casamento classificando-o como uma imposição social.

Para finalizar, a idéia que os entrevistados tem em relação ao governo é de algo neutro, que encontra-se acima da sociedade, numa imagem próxima à de Deus. Conferem-lhe um poder ilimitado e que dele depende o bom funcionamento da sociedade. Não há o reconhecimento do Poder Legislativo. Assim, o governo acaba sendo a vontade de quem governa, de quem ocupa o lugar e é julgado como um aparato, mas como uma “pessoa” com sentimentos e vontades, cujas característica é a mesma identificada nos ricos pelos entrevistados: o egoísmo. Portanto o governo ideal deveria agir é como um pobre. A questão da mulher é novamente retomada no sentido da separação entre publico e privado.

Não é possível fechar a análise porque os fragmentos não formam um sistema. A nossa sociedade é fragmentada e os indivíduos têm múltiplos papéis, porém isso não quer dizer que haja ausência de correlação entre os elementos da fala, mas sim que as articulações entre eles são variáveis e nem sempre são lógicas. Mas isso não é uma falha, pois qualquer conexão apresenta repercussão na vida social da pessoas. Os elementos são compartilhados pela sociedade, mas as conexões são mutáveis. A falta de conexão se deve ao fato de que mudanças em um plano não são necessariamente transpostas aos outros. Se as partes do sistema fossem todas integradas não haveria mudanças parciais e os discursos teriam todos a mesma lógica.

Resenha – Pesquisa Qualitativa em CSo – ano 2003

Pesquisa e crítica das fontes de documentação nos domínios econômico, social e político - Pierre de Saint-Georges

O autor começa o texto falando das diferentes fontes de documentação que podem ser utilizadas em uma pesquisa documental. Existem quatro tipos de fontes de documentação:

1- As fontes não escritas, que podem ser subdivididas em quatro conjuntos:

1.1- Os objetos e vestígios materiais, tais como: vestuário, mobiliário, brinquedos, obras de arte, etc, que nos levam a diferenciar níveis de evolução tecnológica, e o sentido destas evoluções é desvendar o significado destes objetos e sua conotação simbólica.

1.2- A iconografia: que refere-se as pinturas, desenhos, retratos, caricaturas e nos traz a idéia da vida da época que representam.

1.3- As fontes orais não registradas, que são: testemunhos vivos riquíssimos como as tradições orais, canções populares, discursos, depoimentos, entrevistas, etc. Este tipo de fonte embora singular nem sempre é seguro, por isso é preciso ser feito seu registro para que depois possam ser confirmadas e confrontadas.

1.4- Os processos fotográficos ou eletrônicos, que são: as fotografias, os filmes, os discos, o rádio, a TV, etc.

O importante é lembrar que uma única fonte raramente consegue esgotar uma investigação, o ideal é que se combine, por exemplo, fontes não escritas e fontes escritas do objeto investigado, a fim de se chegar a um conjunto completo de informações.

2- As fontes escritas são oficiais quando dependem de uma autoridade pública, isto é, são emitidas pela mesma ou são recebidas por esta mesma autoridade. Além destes documentos da autoridade pública que em geral são chamados de arquivos, há documentos oficiais privados que são aqueles emitidos ou recebidos oficialmente por uma instância privada, normalmente estes documentos são confidenciais e de difícil acesso e possuem um prazo de conservação.

3- As “fontes escritas não oficiais“ são numerosas, entre elas:

3.1- A imprensa: que fornece notícias e fatos e ilustra opiniões de grupos ou categorias sociais determinadas, desempenhando um papel essencial na vida política e social. Há fatores que influem na sua credibilidade, um deles é a periodicidade, quanto mais rápido é o ritmo de publicação, maiores são as chances de erro no controle das informações.

3.2- As revistas e publicações periódicas são outro tipo de fonte e em geral tem uma periodicidade mais lenta e assim, textos mais elaborados. Podem ser classificadas em revistas de ordem geral e revistas especializadas.

3.3- Tem os “livros”, obras históricas, guias turísticos, obras técnicas, livros infantis, manuais, enfim todo conjunto de obras de livraria.

3.4- Os “documentos intermediários”, que são livros e revistas de um tipo particular: dicionários (comuns e especializados), as enciclopédias, os repertórios, os anúncios e os catálogos, as bibliografias que são fontes preciosas de informação e ainda há os boletins sinaléticos (publicações periódicas bibliográficas que assinalam novas publicações relativas a uma disciplina).

4- As fontes estatísticas que são as chamadas fontes numéricas e podem ser:

4.1- estatísticas correntes: fornecem dados de base relativos à vida econômica, social e política em nível nacional, regional, local por domínios e segundo uma periodicidade conhecida e regular, são instrumentos de gestão da vida pública.

4.2- análises estatísticas: são mais que uma apresentação descritiva e fornecem informações estatísticas tratadas.

4.3- dados provenientes de investigações anteriores: é constituído por estudos e investigações originais que foram objeto de uma publicação.

Portanto, a pesquisa documental é um método de recolha e verificação de dados, através da procura e acesso a fontes pertinentes, e apesar de se basear naquilo que já existe pode produzir novos materiais empíricos, recorrendo a fontes existentes, mas até então inexploradas, através de uma documentação inovadora.

Já a pesquisa bibliográfica é utilizada quando se visa descobrir textos sem omitir uma referência essencial, e não aprofundando no que não tem interesse. Em geral é feita em bibliotecas e no geral o esquema é que as primeiras obras consultadas remeterão a outras, procura-se pelas obras mais recentes e separa-se o importante do acessório. Os dicionários são uma outra fonte e conduzem a um trabalho exaustivo.

Porém, todas estas fontes precisam ser lidas de forma seletiva. Os documentos fornecem um testemunho e é preciso examinar metodicamente estes documentos, a fim de que se possa determinar o seu alcance real e o grau de confiança que pode ser conferido a eles, pois um documento oficial pode dizer coisas falsas ou o inverso pode ocorrer. Este procedimento de seleção possui três fases:

1- A crítica interna do documento, que é a interpretação do texto.

2- A crítica externa ou crítica da testemunha, onde são analisados os aspectos materiais do documento

3- A crítica do testemunho, que confirma a informação.

No final dessas etapas é feita uma síntese das investigações, em que se destacam as informações, estabelece-se ao seu respeito uma ordem de certeza sobre o essencial e sobre os pormenores a fim de que sejam identificadas eventuais lacunas. A crítica das fontes não escritas, através da crítica histórica, tem os mesmo objetivos das fontes escritas, com a diferença que nas não escritas os meios tecnológicos podem assumir uma amplitude mais importante.

No final do texto o autor, menciona a crítica das fontes estatísticas que é feita através da estatística enquanto disciplina científica, sem se esquecer que às vezes o próprio objeto da estatística pode ser fonte de erro, que as unidades comparadas devem ser idênticas, a própria confusão no modo de recolha de dados: o questionário e/ou o entrevistado podem, individualmente ou em conjunto, induzir certas respostas e assim alterar a recolha de dados.

Pesquisa Qualitativa em CSo – Resenha – ano 2003

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Situação de entrevista e estratégia do entrevistado – Danielle Ruquoy

     A entrevista torna-se um instrumento fundamental, a partir do momento em que o investigador se interessa cada vez mais pelo indivíduo, em abordar o ser humano profundamente. Existe um paradoxo, pois se interroga o ser singular quando as Ciências Sociais se interessa pelo coletivo, nesse caso o indivíduo é interrogado enquanto representante de um grupo social.
     Para se ter uma entrevista de qualidade é preciso fazer com que o interlocutor se exprima o mais livremente possível e forneça as informações mais completas e precisas sobre o assunto tratado. A utilização da entrevista pressupõe que o investigador não dispõe de dados já existentes, mas que precisa obtê-los, é necessário dispor de dados próprios. O tipo de entrevista tratado no texto é a entrevista semidiretiva, onde é permitido que o próprio entrevistado estruture seu pensamento em torno do objeto perspectivado, e também há a necessidade da intervenção do investigador para que se aprofunde pontos que o entrevistado não teria explicitado.
     A entrevista não pode ser considerada nem o único nem o melhor instrumento de obtenção de dados, ela nos dá informações certamente parciais, mas que conservamos por serem mais acessíveis. A entrevista é o instrumento mais adequado para delimitar os sistemas de representações, de valores, de norma veiculadas por um indivíduo.
     O papel do investigador segue a linha de pensamento do seu interlocutor, ao mesmo tempo em que zela pela pertinência das afirmações relativamente ao objetivo da pesquisa, pela instauração de um clima de confiança e pelo controle das condições sociais da interação sobre a entrevista. O objeto de estudo pode ser definido por dois procedimentos: o procedimento dedutivo e o procedimento indutivo.
     Existem alguns fatores contextuais que podem influenciar na entrevista: a relação social entrevistador/entrevistado, o quadro espaço – temporal, o momento escolhido para a entrevista, a relação com a investigação e a relação com o entrevistador e com seu modo de intervenção.
     Os indivíduos escolhidos para conceder uma entrevista não são escolhidos em função da importância numérica da categoria que representam, mas antes devido a seu caráter exemplar, da diversificação das pessoas interrogadas. A grandeza da amostra de pende da heterogeneidade do público, do grau de complexidade dos objetivos de investigação, da coerência na análise, que as novas informações não façam mais que confirmar as anteriores e que o rendimento não seja decrescente.
    Para conseguir entrevistar os indivíduos selecionados é preciso: revelar o interesse do estudo, a utilização que será feita dele; motivar o interlocutor, fazer desaparecer os receios e explicar como e porque razão a pessoa foi escolhida.
     É preciso aproveitar os momentos-chave da entrevista e saber fazer a intervenção certa na hora certa.

Fichamento – Pesquisa Qualitativa – ano 2003

Manual de Investigações em Ciências Sociais – R. Quivy e Luc Van Campenhoudt

Como o próprio nome diz, esse texto funciona como um manual que ensina como iniciar uma pesquisa, o que se deve fazer e o que não se deve fazer para alcançar os objetivos traçados. Esse texto aborda a formulação de um projeto de investigação, o trabalho exploratório, a construção de um plano de pesquisa ou os critérios para escolha das técnicas de recolha, tratamento e análise de dados; assim o texto foi feito para ajudar o leitor a conceber por si próprio um processo de trabalho.

Pode-se dividir o procedimento de uma pesquisa em sete etapas: a pergunta de partida, a exploração, a problemática, a construção do modelo de análise, a observação, a análise das informações e as conclusões. As três primeiras etapas são agrupadas no ato de ruptura, que consiste em romper com os preconceitos e as falsas evidências, a quarta etapa faz parte do ato de construção e as três últimas etapas são agrupadas no ato de verificação. Esses atos constituem-se mutuamente.

Na etapa de exploração (a mais importante) é constituída pelas operações de leitura, as entrevistas e os métodos complementares. Para escolher bem uma leitura é preciso levar-se em conta: ligações com a pergunta de partida dimensão razoável do programa de leitura, elementos de análise e de interpretação, abordagens diversificadas, intervalos de tempo consagrados à reflexão pessoal e às trocas de ponto de vista. É preciso selecionar cuidadosamente um pequeno número de leituras e de se organizar para delas retirar o máximo de proveito.

As entrevistas exploratórias devem ajudar a construir a problemática de investigação; visa economizar perdas inúteis de energia e de tempo na leitura, na construção de hipóteses e na observação. As principais características a adotar ao longo de uma entrevista são: pôr o mínimo de perguntas possível, intervir da forma mais aberta possível, abster-se de se implicar a si mesmo no conteúdo, procurar que a entrevista se desenrole num ambiente e num contexto adequados e gravar as entrevistas.

As entrevistas, observações e consultas de documentos diversos coexistem freqüentemente durante o trabalho exploratório. Esses são “passos” básicos para uma boa entrevista.

A seguir, o autor mostra como obter um campo de análise e como selecionar as unidades de observação. Não basta saber que tipos de dados deverão ser recolhidos, é também preciso delinear o campo das análises empíricas no espaço, geográfico e social, e no tempo. É preciso levar em conta a margem de manobra do investigador: os prazos e os recursos de que dispõe, os contatos e as informações com que pode contar e suas aptidões. Numa amostra as informações úteis, muitas vezes, só podem ser obtidas junto dos elementos que constituem o conjunto, a totalidade destes elementos chama-se população. Após ter escolhido seu campo de análise o investigador depara-se com três possibilidades: estudar a totalidade da população, estudar uma amostra representativa da população e estudar componentes não estritamente representativas mas características da população.

Existem dois “tipos” de observação: observação direta, o próprio investigador procede diretamente à recolha das informações, sem se dirigir aos sujeitos interessados; observação indireta, o investigador dirige-se ao sujeito para obter a informação desejada, desse modo, o sujeito intervém na informação, sendo essa menos objetiva. Existem três operações da observação: conceber o instrumento de observação, testar o instrumento de observação e a recolha dos dados.

Os principais métodos de recolha de dados são: o inquérito por questionário (colocar a um conjunto de inquiridos uma série de perguntas relativas ao ponto que interesse os investigadores), a entrevista (permitem ao investigador retirar das suas entrevistas informações e elementos de reflexão muito ricos e matizados), a observação direta (método baseado na observação visual, constitui o único método que captam os comportamentos no momento em que eles se reproduzem e em si mesmos, sem a medição de um documento ou de um testemunho) e a recolha de dados preexistentes (estudar os documentos por si próprios ou fazer a análise sociológica de um romance; ou esperar encontrar neles informações úteis para estudar outro objeto); todos esses métodos trazem vantagens e desvantagens, é preciso escolher um que se encaixe com a pesquisa que está sendo desenvolvida.

Fichamento – Pesquisa Qualitativa – ano 2003 (textos 1 e 2)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Trabalho final de Indicadores Sociais

1. INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objetivo traçar um perfil sócio-econômico das regiões brasileiras (Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste), mostrando como a taxa de fecundidade varia em cada região e a partir disso explicar os fatores que podem influenciar essa variação da taxa de fecundidade. Nossa hipótese é a de que fatores como escolaridade, renda, urbanização, influenciam na taxa de fecundidade. Para essa análise, iremos utilizar os Indicadores Sociais Mínimos do IBGE e o Censo 2000.

2. INDICADORES SOCIAIS

Os Indicadores Sociais Mínimos tem como um de seus objetivos permitir o acompanhamento estatístico dos programas nacionais de cunho social, recomendados pelas diversas conferências internacionais promovidas pelas Nações Unidas nos últimos anos. O conjunto de indicadores sociais compreende dados gerais sobre distribuição da população por sexo, idade, cor ou raça, sobre população e desenvolvimento, pobreza, emprego e desemprego, educação e condições de vida. Esses Indicadores tem como algumas de suas principais recomendações a de se utilizar tão-somente dados provenientes de fontes estatísticas regulares e confiáveis e a de desagregar os dados por gênero e outros grupos específicos observando sempre, entretanto, as peculiaridades e prioridades nacionais.

Os Indicadores Sócias Mínimos, aqui utilizados, trazem informações atualizadas sobre os aspectos demográficos, anticoncepção, distribuição da população por cor ou raça; informações atualizadas sobre trabalho e rendimento, educação e condições de vida. Na elaboração do sistema foram consideradas as peculiaridades nacionais e a disponibilidade de dados. Estes estão desagregados por região geográfica, visto que o tamanho e a heterogeneidade do país reduzem a representatividade das médias nacionais, e desagregados, também, em alguns casos, por sexo e cor. Os dados são provenientes de pesquisas do IBGE, censitárias (Censo Demográfico e Contagem da População) e por amostra (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, PNAD) e complementados por outras fontes nacionais.

Definições dos Indicadores Sociais[1] usados neste trabalho:

  • Taxa média geométrica de crescimento anual da população à incremento médio anual da população, medido pela expressão i= sendo P(t+n) e P(t) populações correspondentes a duas datas sucessivas, e n o intervalo de tempo entre essas datas, medido em ano e fração de ano.
  • Taxa de urbanização à percentagem da população da área urbana em relação à população total.
  • Taxa de fecundidade total à número médio de filhos que teria uma mulher de uma coorte hipotética (15 e 49 anos de idade) ao final de seu período reprodutivo.
  • Taxa de mortalidade infantil à freqüência com que ocorrem os óbitos infantis (menores de um ano) em uma população, em relação ao número de nascidos vivos em determinado ano civil. Expressa-se para cada mil crianças nascidas vivas.
  • Anos de estudo à período estabelecido em função da série e do grau mais elevado alcançado pela pessoa, considerando a última série concluída com aprovação (Censo Demográfico, PNAD, 1991, 1992,1993 e 1995).
  • Família à conjunto de pessoas ligadas por laços de parentesco, dependência doméstica ou normas de convivência, residente na mesma unidade domiciliar, ou pessoa que mora só em uma unidade domiciliar. Entende-se por dependência doméstica a relação estabelecida entre a pessoa de referência e os empregados domésticos e agregados da família, e por normas de convivência as regras estabelecidas para o convívio de pessoas que moram juntas, sem estarem ligadas por laços de parentesco ou dependência doméstica. Consideram-se como famílias conviventes as constituídas de, no mínimo, duas pessoas cada uma, que residam na mesma unidade domiciliar (domicílio particular ou unidade de habitação em domicílio coletivo) (PNAD 1992, 1993, 1995, 1996).
  • Rendimento mensal à soma do rendimento mensal de trabalho com o rendimento proveniente de outras fontes (PNAD, 1990,1992,1993,1995).
  • Rendimento mensal familiar à Soma dos rendimentos mensais dos componentes da família, exclusive os das pessoas cuja condição na família fosse pensionista, empregado doméstico ou parente do empregado doméstico.
  • Trabalho à exercício de: a) ocupação remunerada em dinheiro, produtos, mercadorias ou em benefícios, como moradia, alimentação, roupas etc., na produção de bens e serviços; b) ocupação remunerada em dinheiro ou benefícios, como moradia, alimentação, roupas etc., no serviço doméstico; c) ocupação sem remuneração na produção de bens e serviços, exercida durante pelo menos uma hora na semana: em ajuda a membro da unidade domiciliar que tem trabalho como empregado na produção de bens primários (atividades da agricultura, silvicultura, pecuária, extração vegetal ou mineral, caça, pesca e piscicultura), conta-própria ou empregador; em ajuda a instituição religiosa, beneficente ou de cooperativismo; ou como aprendiz ou estagiário; d) ocupação exercida durante pelo menos uma hora na semana: na produção de bens do ramo que compreende as atividades da agricultura, silvicultura, pecuária, extração vegetal, pesca e piscicultura, destinados à própria alimentação de pelo menos um membro da unidade domiciliar; ou na construção de edificações, estradas privativas, poços e outras benfeitorias, exceto as obras destinadas unicamente à reforma, para o próprio uso de pelo menos um membro da unidade domiciliar. (PNAD 1992, 1993, 1995, 1996) Este conceito é mais abrangente que o adotado até 1990 na PNAD. Até 1990, o conceito de trabalho não abrangia o trabalho não remunerado exercido durante menos de 15 horas na semana nem o trabalho na produção para o próprio consumo e na construção para o próprio uso.
  • População Economicamente Ativa (PEA) - É composta pelas pessoas de 10 a 65 anos de idade que foram classificadas como ocupadas ou desocupadas na semana de referência da pesquisa.
  • Taxa de atividade à percentagem das pessoas economicamente ativas, em relação às pessoas de 10 ou mais anos de idade.
  • Taxa de desocupação (ou desemprego aberto) à percentagem das pessoas desocupadas, em relação às pessoas economicamente ativas.
  • Taxa de analfabetismo à percentagem das pessoas analfabetas[2] de um grupo etário, em relação ao total de pessoas do mesmo grupo etário.
  • Taxa de escolarização à percentagem dos estudantes de um grupo etário em relação ao total de pessoas do mesmo grupo etário.

3. APRESENTAÇÃO

Para definir a taxa de fecundidade "ideal", que aponta para a estabilização do crescimento populacional de um país, demógrafos partiram de um pressuposto simples: o de que crianças são geradas por duas pessoas que, um dia, irão morrer e deverão, portanto, ser substituídas por outras duas. A chamada "taxa de reposição" é, por esse motivo, de 2,1 filhos por mulher. O Brasil já teve uma média quase três vezes superior a essa. Hoje, as famílias têm, em média, 2,3 crianças – índice bem próximo do necessário para o equilíbrio populacional. Estaria tudo muito bem não fosse o fato de que essa aparente normalidade esconde uma realidade preocupante: a de que persistem no mapa brasileiro regiões onde as mulheres têm um bebê por ano e chegam ao fim de sua vida fértil com mais de vinte filhos, como alguns países miseráveis da África. Isso não ocorre somente em regiões distantes, mas também nos grandes centros urbanos – as favelas se tornaram ilhas de explosão demográfica dentro das metrópoles. Essas favelas não compartilham o isolamento dos minúsculos municípios rurais, mas se assemelham a eles em outro aspecto: os baixos índices de educação formal.

Além disso, o crescimento populacional se deve também ao desenvolvimento de uma economia. As mais pobres regiões brasileiras são as que têm as mais altas taxas de fecundidade. Nas mais ricas, é o oposto. A região com o menor índice de fecundidade do Brasil é a Região Sudeste (2,10), que como sabemos é a mais industrializada e mais desenvolvida do país, enquanto a Região Norte tem a taxa de fecundidade mais alta (3,14), e é a região mais rural, menos desenvolvida do país. Sabe-se também que mulheres que não tiveram acesso ao estudo têm até três vezes mais filhos do que as que cursaram a universidade.

O processo de urbanização foi um dos fatores que contribuíram para refrear o aumento populacional no Brasil. Ao trocarem o campo pela cidade, as pessoas passaram a ter acesso a serviços públicos como saúde e educação. A universalização da previdência também influenciou na redução dos nascimentos, sobretudo porque fez arrefecer a crença, até hoje persistente em áreas rurais, de que a única fonte de renda na velhice viria do trabalho dos filhos – o benefício fez diminuir o temor dos brasileiros de chegar à velhice sem nenhum tostão. Um estudo feito na década de 70 chegou à curiosa conclusão de que as telenovelas foram outro fator a ajudar no encolhimento dos lares, pois nas novelas exibiam-se famílias com dois filhos por casal e isso foi se tornando um padrão.

A história das políticas de planejamento familiar é cheia de idas e vindas. Embora a distribuição de preservativos pelos hospitais públicos tenha começado nos anos 70, foi só a partir de 1996, por força de lei, que camisinhas e anticoncepcionais começaram a chegar sistematicamente às regiões mais pobres e distantes das grandes cidades. Agora, o governo federal está preparando um pacote de medidas que promete aumentar a opção de anticoncepcionais ofertados pelo Estado e dobrar o número de hospitais públicos que fazem esterilizações, hoje disponíveis em menos de 10% dos municípios brasileiros.

Tudo isso mostra que regiões com diferentes níveis de instrução e riqueza têm de ser alvo de políticas específicas.

4. DESENVOLVIMENTO

Antes de traçar o perfil sócio-econômico das regiões, iremos mostrar como a taxa de fecundidade evoluiu no Brasil no decorrer das últimas décadas.

A fecundidade está associada à procriação humana, em termos do número efetivo de filhos em relação às mulheres em idade reprodutiva. Do ponto de vista demográfico, a análise da fecundidade tenta medir em que grau e como vão ocorrendo os nascimentos. A importância deste dado está no fato de que eles determinam, juntamente com a mortalidade e as migrações, o crescimento e a estrutura da população. Também, o número de filhos que as mulheres têm está estreitamente relacionado com aspectos tais como a saúde materno-infantil e aspectos sociais ligados à formação das famílias.

No Brasil, os níveis da fecundidade feminina mantiveram-se em níveis elevados até meados da década de 60, momento em que se inicia a difusão dos métodos anticonceptivos orais no País. Até 1960, a Taxa de Fecundidade Total, estimada para o País, era um pouco superior a 6 filhos por mulher. Os resultados do Censo Demográfico de 1970 mostraram uma pequena redução neste indicador (5,76 filhos por mulher), como reflexo da diminuição mais acentuada da fecundidade na Região Sudeste. Por se tratar da Região mais urbanizada do país, proporcionando um maior acesso aos meios existentes para evitar uma gravidez não desejada, e dispor de um parque industrial e de uma rede de comércio e serviços, impulsionadores da economia nacional, que absorvia um número cada vez maior de mão-de-obra feminina, a Região Sudeste do Brasil foi a primeira a experimentar a maior redução no nível da fecundidade: quase 2 filhos de 1960 para 1970. Nas demais regiões, o início da transição da fecundidade, de altos para baixos níveis, iniciou-se na década de 70.

Em 1970, os diferenciais de fecundidade entre as Grandes Regiões ainda eram bastante acentuados. As Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste possuíam as mais elevadas taxas de fecundidade (8,15; 7,53 e 6,42 filhos por mulher, respectivamente), enquanto que a Região Sudeste era detentora da mais baixa (4,56 filhos por mulher).

Já em 1980, observou-se que todas as Grandes Regiões brasileiras estavam em franco processo de redução da fecundidade, afastando-se, somente, da média nacional, as Regiões Norte e Nordeste. A partir daí, o declínio da fecundidade no Brasil acentuou-se, uma vez que a esterilização feminina passou a exercer um importante papel para a limitação do número de filhos. Os resultados para o Brasil e Grandes Regiões, incorporando as estimativas preliminares da Taxa de Fecundidade Total, calculadas com base nas informações preliminares do Censo Demográfico de 2000, encontram-se na Tabela 1[3].

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É interessante observar que os níveis estimados da fecundidade para as Grandes Regiões encontram-se bastante próximos ao da média nacional (2,35 filhos por mulher, em 2000). Porém, um ponto que merece ser destacado faz referência à proximidade dos valores alcançados pelas respectivas Taxas de Fecundidade Total das Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste àquele que, desde a ótica demográfica, é considerado como o número médio de filhos por mulher que garante a reposição das gerações, ou seja, 2,1. Percebemos também que apesar da taxa de fecundidade ter diminuído muito, a Região Norte sempre teve a maior taxa entre as regiões.

A Tabela 2[4] mostra a estrutura da fecundidade nas diferentes faixas etárias:

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Quanto à estrutura da fecundidade por grupos de idade das mulheres ao longo do período fértil, podem ser observadas reduções das taxas em todas as faixas etárias, no transcurso de 20 anos (período 1980-2000). A exceção fica por conta, exclusivamente, das mulheres jovens de 15 a 19 anos, que experimentaram, nesse período, aumento da fecundidade.

5. ANÁLISE DO PERFIL SÓCIO-ECONÔNICO DAS REGIÕES DO BRASIL

Agora, iremos analisar os dados de cada região, através das tabelas dos Indicadores Sociais Mínimos.

Tabela 3 – Aspecto demográfico das regiões e do Brasil, segundo projeção total da população, taxa de crescimento anual, taxa de fecundidade total e taxa de mortalidade infantil

Brasil e Grandes Regiões

Projeção da População Total

Taxa de Crescimento anual (1)

Taxa de Fecundidade Total (2)

Taxa de Mortalidade Infantil / mil (2)

Brasil

165.371.493

1,4

2,35

34,8

Norte

12.342.627

2,4

3,16

32,7

Nordeste

46.995.094

1,1

2,63

52,8

Sudeste

70.190.565

1,4

2,10

25,7

Sul

24.546.983

1,2

2,22

22,8

Centro-Oeste

11.296.224

2,2

2,22

26,1

Fonte: Indicadores Sociais Mínimos, IBGE

(1) Permanecem os dados de 1996.
(2) Estimativas para 1999 extraídas do documento IBGE/DPE/DEPIS "projeção da população das Grandes Regiões por sexo e idade 1991 - 2020".

Analisando verticalmente esta tabela, podemos concluir que a Região Norte é a que apresenta a maior taxa de crescimento populacional anual (2,4), e isso é reflexo da sua taxa de fecundidade, que também é a maior entre as regiões (3,16), tornando essa região a nossa unidade de análise.

Tabela 4 – Relação entre a taxa de fecundidade total e a taxa de urbanização das regiões brasileiras e do Brasil

Brasil e Grande Regiões

Taxa de Urbanização (%)

Taxa de Fecundidade total (1)

Brasil

78,4

2,35

Norte

62,4

3,16

Nordeste

65,2

2,63

Sudeste

89,3

2,10

Sul

77,2

2,22

Centro-Oeste

84,4

2,22

Fonte: Indicadores Sociais Mínimos, IBGE

(1) Estimativas para 1999 extraídas do documento IBGE/DPE/DEPIS "projeção da população das Grandes Regiões por sexo e idade 1991 - 2020".

Com os números desta tabela percebemos que a Região Norte é a que apresenta a menor taxa de urbanização do Brasil (62,4%), contra os 89,3% da taxa de urbanização da Região Sudeste, que é a maior. Se considerarmos a taxa de fecundidade da Região Sudeste, que é de 2,10, ou seja, a menor taxa de fecundidade do Brasil, podemos dizer que a taxa de urbanização de uma região está intimamente relacionada com a taxa de fecundidade, já que a taxa de fecundidade da Região Norte é a maior (3,16). Podemos dizer que a taxa de urbanização influencia inversamente na taxa de fecundidade, onde a taxa de urbanização é maior a de fecundidade é menor e vice-versa.

Tabela 5 – Percentagem de uso atual de anticonceptivos entre mulheres (de 15 a 49 anos de idade) que vivem em união em cada região e no Brasil – 1996

Brasil e Grandes Regiões

Algum Método

Esterilização Feminina

Esterilização Masculina

Pílula

Não usa Métodos

Brasil

76,7

40,1

2,4

20,7

23,3

Norte

72,3

51,3

-

11,1

27,7

Nordeste

78,2

43,9

0,4

12,7

31,8

Sudeste

77,8

38,8

2,6

21,8

22,2

Sul

80,3

29,0

3,5

34,1

19,7

Centro-Oeste

84,5

59,5

1,8

16,1

15,5

Fonte: Indicadores Sociais Mínimos, IBGE

Nota-se que a Região Norte é a que apresenta a menor taxa (72,3%) de uso de algum método anticonceptivo, e entre as que utilizam a pílula anticoncepcional (que é considerado o mais conhecido dos métodos anticonceptivos) é também a que apresenta a menor taxa (11,1%). Portanto o não uso de métodos anticonceptivos pelas mulheres da Região Norte está profundamente relacionada à alta taxa de fecundidade desta região, em relação às outras regiões brasileiras.

É importante observar que não há dados sobre a esterilização masculina na Região Norte.

Tabela 6 – Rendimento médio mensal, taxa de atividade e taxa de desocupação, em cada região e no Brasil – 1999

Brasil e Grandes Regiões

Rendimento Médio Mensal (1), em R$

Taxa de Atividade (2)

Taxa de Desocupação (2)

Brasil (3)

313,3

61,0

9,6

Norte

244,3

58,6 (4)

11,4

Nordeste

144,9

61,1

8,0

Sudeste

273,4

59,0

11,2

Sul

334,4

66,0

8,0

Centro-Oeste

291,3

63,5

9,6

Fonte: Indicadores Sociais Mínimos, IBGE

(1) População de 10 ou mais de idade, com ou sem rendimentos. O valor em R$ é o valor nominal.
(2) População de 10 anos ou mais de idade.
(3) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá
(4) Exclusive a população rural

Os dados desta tabela são bem interessantes, pois revelam que a alta taxa de fecundidade está mais relacionada às taxas de atividade e de desocupação do que com a renda mensal. Isso porque a Região Norte é quem apresenta a menor taxa de atividade do país (58,6%) e também apresenta a maior taxa de desocupação (11,4%), porém não tem nem a menor nem a maior renda.

É importante salientar que a população rural da Região Norte está excluída da taxa de atividade.

Tabela 7 – Taxa de atividade das pessoas de 15 a 65 anos de idade por sexo em cada região e no Brasil - 1999

Brasil e Grandes Regiões

Total

Homens

Mulheres

Brasil (1)

74,4

85,5

58,2

Norte (2)

69,2

83,2

56,1

Nordeste

71,4

85,6

58,1

Sudeste

69,9

84,0

56,6

Sul

75,9

88,7

63,6

Centro-Oeste

73,2

88,4

58,8

Fonte: Indicadores Sociais Mínimos, IBGE

(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá.
(2) Exclusive a população rural.

Tabela 8 - Taxa de desocupação das pessoas de 15 a 65 anos de idade por sexo em cada região e no Brasil - 1999

Brasil e Grandes Regiões

Total

Homens

Mulheres

Brasil (1)

9,9

8,1

12,3

Norte (2)

11,7

9,2

15,1

Nordeste

8,5

7,2

10,4

Sudeste

11,2

9,2

14,1

Sul

8,1

6,7

10,0

Centro-Oeste

9,4

7,0

12,8

Fonte: Indicadores Sociais Mínimos, IBGE

(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá.
(2) Exclusive a população rural.

As tabelas 7 e 8 detalham a análise da tabela anterior e mostram que há uma relação entre as taxas de atividade e de desocupação e a taxa de fecundidade. Podemos ver que a Região Norte tem a maior taxa de desocupação (11,7) e a menor taxa de atividade (69,2). É interessante perceber que as pessoas que tem menos estabilidade, menos condições (no caso as que se encontram na Região Norte), são as que têm maior taxa de fecundidade.

Tabela 9 – Taxas de analfabetismo e escolarização por sexo em cada região e no Brasil – 1999

Brasil e Grandes Regiões

Taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade

Taxa de escolarização das crianças de 7 a 14 anos de idade

Total

Homens

Mulheres

Total

Homens

Mulheres

Brasil (1)

13,3

13,3

13,3

95,7

95,3

96,1

Norte (2)

11,6

11,7

11,5

95,5

95,3

95,7

Nordeste

26,6

28,7

24,6

94,1

93,2

95,0

Sudeste

7,8

6,8

8,7

96,7

96,6

96,9

Sul

7,8

7,1

8,4

96,5

96,7

96,3

Centro-Oeste

10,8

10,5

11,0

96,0

95,6

96,4

Fonte: Indicadores Sociais Mínimos, IBGE

(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá.
(2) Exclusive a população rural.

Os dados desta tabela estão bastante comprometidos, pois a população rural da Região Norte está excluída. Considerando que essa região é a que apresenta a menor taxa de urbanização do Brasil, se torna comprometedor a análise desses dados relacionando-os com a taxa de fecundidade[5], pois as pessoas da área rural não devem ter alta escolaridade, e assim as taxas do Norte seriam mais baixas.

Tabela 10 – Média de anos de estudo das pessoas de 10 anos ou mais de idade por sexo em cada região e no Brasil – 1999

Brasil e Grandes Regiões

Média de anos de estudo

Total

Homens

Mulheres

Brasil (1)

5,7

5,6

5,9

Norte (2)

5,7

5,5

5,9

Nordeste

4,3

4,0

4,7

Sudeste

6,5

6,4

6,5

Sul

6,2

6,2

6,3

Centro-Oeste

5,9

5,7

6,2

Fonte: Indicadores Sociais Mínimos, IBGE

(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá.
(2) Exclusive a população rural.

Mais uma vez a relação entre escolaridade e taxa de fecundidade está comprometida, pois a população rural da Região Norte está excluída [6].

Tabela 11 – Número de pessoas por família e por dormitório em cada região e no Brasil - 1999

Brasil e Grandes Regiões

Número médio de pessoas por família

Número médio de pessoas por dormitório

Brasil (1)

3,4

1,9

Norte (2)

3,9

2,1

Nordeste

3,7

2,0

Sudeste

3,3

1,9

Sul

3,3

1,8

Centro-Oeste

3,4

1,8

Fonte: Indicadores Sociais Mínimos, IBGE

(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá.
(2) Exclusive a população rural.

Por ser a Região Norte aquela que apresenta a maior taxa de fecundidade, estes números são reflexos dessa condição, ou seja, essa região apresenta maior número médio de pessoas por família e de pessoas por dormitório, 3,9 e 2,1, respectivamente.

Tabela 12 – Percentagem das famílias por classes de rendimento médio familiar em cada região e no Brasil - 1999

Brasil e Grandes Regiões

Até 2

Mais de

2 a 5

Mais de

5 a 10

Mais de

10 a 20

Mais de 20

Sem (3)
Rendimento

Brasil (1)

27,6

32,2

18,6

9,9

5,9

3,5

Norte (2)

29,2

34,9

17

8,6

4,3

5,4

Nordeste

47,5

29,7

9,2

4,4

2,7

4,2

Sudeste

17,7

32,2

23,5

13

7,8

3,1

Sul

22,2

34,5

21,7

11,3

6,4

2,6

Centro-Oeste

26,7

35

17,9

9,2

6,5

3,4

Fonte: Indicadores Sociais Mínimos, IBGE.

(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá.
(2) Exclusive a população rural.
(3) Exclusive os sem declaração de renda.

A informação importante que traz essa tabela é que a Região Norte tem a maior percentagem de população sem rendimentos (5,4%), isto é um fator interessante, pois sendo esta região a de mais alta taxa de fecundidade, pode-se relacionar esse fato a pobres terem mais filhos. É interessante perceber que as regiões, Norte e Nordeste têm a percentagem de rendimento decrescente conforme aumenta a quantidade de salários mínimos.

Tabela 13 – Percentagem de domicílios com luz elétrica em cada região e no Brasil - 1999

Brasil e Grandes Regiões

Luz Elétrica

Brasil (1)

94,8

Norte (2)

97,8

Nordeste

85,8

Sudeste

98,6

Sul

98,0

Centro-Oeste

95,0

Fonte: Indicadores Sociais Mínimos, IBGE

(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá.
(2) Exclusive a população rural.

Essa tabela seria mais útil se estivesse representado nela a população rural da Região Norte, pois é lá que não se tem luz elétrica e devido a isso não se tem meios de comunicação (TV, rádio), sendo esse um fator que pode influenciar a taxa de fecundidade, pois sem meios de comunicação não se tem informações, sobre como prevenir uma gravidez utilizando métodos anticonceptivos (assim, a falta de energia também influencia na taxa de utilização de métodos anticonceptivos).

6. CONCLUSÃO

A partir dos dados analisados, concluímos que a Região Norte é a que detém a maior taxa de fecundidade (3,16), enquanto que a Região Sudeste tem a menor taxa (2,10), essa primeira diferença se deve principalmente a taxa de urbanização que na primeira é de 62,4% e na segunda é de 89,3%, sendo estes os dois extremos do Brasil. Assim, temos que a urbanização é um fator de grande importância para o controle da taxa de fecundidade.

Também percebemos que o uso de métodos anticonceptivos é menor na Região Norte, sendo esta a causa da maior taxa de fecundidade desta região. Isso se deve a população rural que existe nessa região, pois nessa área não se tem muita informação sobre métodos de prevenção, já que a energia elétrica não chega a essa população e por isso não se tem meios de comunicação em massa; e também, por ser uma área rural, a população tem em mente que ter mais filhos é bom, pois, são eles que trabalharão na agricultura familiar, isto é, é daí que vem a mão-de-obra necessária para a subsistência.

Na Região Norte, encontramos a maior taxa de desocupação (desemprego aberto) e a menor taxa de atividade, assim o que é interessante perceber é que essa população tem uma situação de vida muito precária e instável e mesmo assim é onde se tem mais filhos, é a população que tem maior taxa de crescimento (2,4), podendo se explicar por aí, uma das causas do aumento da população pobre no Brasil. Pois, não é que as pessoas estão ficando pobres, mas sim que as pessoas pobres estão tendo mais filhos e assim aumentando sua população.

A taxa de escolaridade, medida em anos de estudo, seria uma das nossas principais hipóteses, porém como se exclui a população rural do Norte, nossos dados ficam comprometidos, pois é nessa área que se encontra o maior número de analfabetos, ou pessoas com poucos anos de estudos e daí que por falta de instrução eles tendem a se casar mais cedo e ter mais filhos.

Assim, como conseqüência da maior taxa de fecundidade estar na Região Norte temos nesta região o maior número de pessoas por família e o maior número de pessoas por dormitório, esses números seriam maiores ainda se a população rural não tivesse sido excluída.


[1] Definições retiradas do site do IBGE: www.ibge.gov.br

[2] Analfabeta - pessoa que não sabe ler e escrever um bilhete simples no idioma que conhece.

[3] Tabela retirada: Oliveira, J. C - A fecundidade no Brasil e Regiões nos últimos vinte anos do século XX.

[4] Tabela retirada: Oliveira, J. C - A fecundidade no Brasil e Regiões nos últimos vinte anos do século XX

[5] Procuramos dados no site do IBGE, que poderiam completar essa informação, mas não foi encontrado

[6] Procuramos dados no site do IBGE, que poderiam completar essa informação, mas não foi encontrado

8. BIBLIOGRAFIA

Oliveira, Juarez de Castro. A fecundidade no Brasil e regiões nos últimos vinte anos do século

XX (Versão Preliminar com informações do Censo 2000)

Revista Veja – 09 de junho de 2004

www.ibge.gov.br

Trabalho Final de Indicadores Sociais – ano 2004